Veja o que está em cartaz no Teatro Caleidoscópio e programe-se.
+ Mais
 
  Teatro para adultos, adolescentes e crianças. Confira a programação de cursos do Teatro Caleidoscópio
+ Mais
 
Cadastre-se em nossa newsletter e receba as informações, novidades e promoções do Teatro em seu e-mail.
Nome: E-mail:
   
  Clique aqui e acompanhe a programação do Teatro Caleidoscópio  
A ÓRFÃ DO REI, 1996
De José Mena Abrantes

Interpretação
Paula Passos

Direção
André Amaro

Iluminação
Dalton Camargos

Fotos
Cynthia Pastor

De 1987 a 1992, a atriz Paula Passos morou em Luanda/Angola, onde participou do grupo Elinga-Teatro dirigido por José Mena Abrantes e com base num núcleo de atores que com ele trabalhara no Grupo de Teatro da Faculdade de Medicina de Luanda. O monólogo A Órfã do Rei foi escrito especialmente para a atriz por José Mena Abrantes, como prova de carinho e de reconhecimento pela “inestimável contribuição ao desenvolvimento do teatro em Angola”. A história reporta-se ao ano de 1593, quando chegaram a Luanda as primeiras “órfãs do Rei”, jovens brancas, órfãs, em idade núbil, às quais era concedido um dote e um marido com emprego garantido no funcionalismo público. Durante a primeira parte do século XVII, foi esse o sistema que permitiu a existência de mulheres brancas em Angola. Nesta peça, uma delas escreve ao Rei contando os delírios e as angústias que sofre ao ser obrigada a partir para as terras distantes de África “povoadas de seres incultos e instintos bárbaros”. A montagem passa do literário para as formas corporais simbólicas.
Encenada em Angola, França, Portugal e algumas cidades brasileiras, a peça recebeu em Brasília o Prêmio de Cultura 1996 e quatro prêmios no Festival de Monólogos de Teresina em 2000, incluindo Melhor Espetáculo e Melhor Atriz.

Crítica sobre a peça
Elaborada simplicidade
Marcos Savini - Correio Braziliense - 03.11.1996

Existem espetáculos que escondem uma cuidadosa elaboração por trás da aparente simplicidade que é levada ao palco. É o caso de A Órfã do Rei, peça escrita pelo angolano José Mena Abrantes sobre o drama de uma das jovens brancas e órfãs que, no século 17, eram obrigadas a casar com os funcionários da coroa portuguesa em Angola.

O texto de A Órfã do Rei, em forma de carta, poderia facilmente soar como uma monótona leitura quando transformado em teatro. Este obstáculo foi facilmente contornado pelo diretor André Amaro, que colocou Paula Passos num cenário onde objetos do cotidiano da personagem adquirem novos sentidos pela forma como são manipulados pela atriz.

Um simples vaso indica os dramas uterinos da personagem. Os sons e movimentos de uma vassoura podem sugerir tanto o fluir das ondas do mar. As emoções nascem em meio a esta dança de gestos e palavras, enquanto as imagens se multiplicam em cena.

O texto exige grande capacidade de conduzir a imaginação do público através do olhar, caminho que a atriz Paula Passos explora com sensibilidade numa interpretação onde combina lucidez e delírio, dor e revolta, desespero e esperança.


 Voltar