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No Jardim de Mônica

Elenco: Flavia Neiva, Sandra Regina, Rômulo Mendes e Vinicius Guarilha.
Iluminação: Claudio Lago
Direção Geral: André Amaro


O Teatro Caleidoscópio apresentou, de 13 a 30 de novembro de 2008, diferentes versões para o texto "No Jardim de Mônica", da dramaturga peruana Sara Joffré, “um exercício de fabulação, de reconstrução da narrativa a partir de novas configurações e interpretações do texto", como explica o diretor André Amaro, que deu títulos diferentes para cada montagem: O Jardim, A Porta e A Sopa Negra. A primeira segue as indicações originais do texto e reconstitui o universo infantil proposto pela autora. A segunda e a terceira são interpretações livres, com adaptações ligeiras da obra, onde os personagens assumem a vida adulta e apresentam perfis psicológicos distintos.

No Jardim de Mônica foi escrita em resposta a uma impressão, vendo brincar minha sobrinha, que agora tem 40 anos", diz Sara Joffré. Diz A protagonista da peça é tomada, a princípio, como uma criança inventiva e manipuladora que constrói, ao seu redor, um mundo imaginário a partir das situações que improvisa. A brincadeira parece-lhe o modo mais seguro para escapar da opressão da mãe, cuja imagem é um ruído em sua memória e em sua existência. No imaginário jardim, os personagens são criaturas temporárias de uma história sem começo nem fim. Deixam transparecer, nas entrelinhas dos diálogos, o desenho de seus pais, estratégia declarada de uma autora preocupada com as questões da infância: "As crianças me parecem a coisa mais importante desse mundo; por isso, seria necessário que tivessem "pais responsáveis", mas somos todos filhos de outras crianças e por aí vai..."

Mas, se a peça sugere um drama infantil, também aponta novas possibilidades de leitura do universo psicológico presente na obra. A realidade aparente e palpável dá lugar ao mundo inconsciente e irracional, aos sonhos e aos estados mórbidos. “No Jardim de Mônica é essa alameda vertiginosa, ora surreal - pela recusa aos encadeamentos lógicos - ora sobrenatural - por seu pendor à dimensão fantástica. Daí a inspiração para reconstruir a obra por outras perspectivas”, diz André. Em A Porta, por exemplo, os personagens estão numa sala de espera, diante de uma porta que os levará . Em A Sopa Negra, Mônica está vestida de noiva e confessa a existência de uma amante. Seu jardín é o espaço da frustração, dos sentimentos morais, o espaço fantasmático do abandono, do desafeto e da solidão.

Em 2009, André e os atores desenvolveram uma quarta versão, simplesmente denominada A Quarta. Nessa montagem, Mônica é tudo isso e também a inocência e a capacidade de superação de suas próprias dores, uma mulher que guarda rancores, mas também a esperança de amor.

Sara Joffré esteve em Brasília a partir do dia 17 de novembro para acompanhar as apresentações e autografar a edição de seu texto em português que o Teatro Caleidoscópio publicou.

Sara Joffré - Dramaturga, diretora e atriz, Sara Joffré (nascida em Callao, Lima, 1935) começa seu trabalho como autora teatral em 1961 com as obras No Jardim de Mônica e Contos ao redor de um círculo de espuma, encenadas pelo grupo Alba, no Clube de Teatro de Lima. É fundadora do grupo Homero Teatro de Grillos (1963), pioneiro no trabalho para crianças no Peru, e criadora da Mostra de Teatro Peruano (1974). Suas obras têm sido muito bem acolhidas pela crítica. Atualmente é diretora da Revista Teatral Muestra, que publica textos e artigos teatrais. Seguidora de Brecht, dirigiu várias de suas peças e ministrou oficinas e conferências sobre o dramaturgo alemão. Participa frequentemente, como jurada de festivais nacionais e internacionais de artes cênicas e como mediadora em mesas que se organizam sobre teatro. Sua trajetória de mais de quatro décadas constitui um aporte fundamental para o teatro peruano. Camille (1999) sobre a escultora francesa, e Caminho de uma só via (2000), que trata da vida do pensador Walter Benjamin, destacam-se entre as dezenas de obras escritas e publicadas.