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Tudo começa
nos últimos meses de 1993, quando André
Amaro conhece o rigoroso treinamento dos atores no Theatre
du Soleil, em Paris. Ali, sob o firme comando de Ariane
Mnouchkine, redimensionou todas as suas convicções
sobre o teatro.
De volta ao Brasil, em 1994, começou a desenvolver
os primeiros esboços do projeto que se intitularia
Teatro Caleidoscópio, uma investigação
sobre a dinâmica do caleidoscópio, na qual
tentaria identificar similaridades com a prática
teatral. Com o apoio da Coordenação de
Extensão da Faculdade Dulcina de Moraes, em Brasília,
realizou oficinas com o propósito de formar,
posteriormente, um grupo para treinamento sistemático
de atores.
Das duas primeiras oficinas realizadas naquele ano,
resultaram dois espetáculos: Teatro Caleidoscópio
I – (A Festa de Baco), fruto do trabalho dos atores
em busca de estados interiores e das formas físicas
correspondentes; e Teatro Caleidoscópio II –
(O Sonho de Sátiro), uma crônica gestual
sobre o homem urbano.
Em 1995, uma nova oficina, produziu o espetáculo
Escutai os Gemidos e os Risos do Nosso Sono. Nesta montagem
foram utilizados trechos de matérias jornalísticas
com ponto de partida para construção de
um roteiro cênico sobre os fantasmas que rondam
a humanidade.
O Grupo, inicialmente formado por seis integrantes,
foi responsável ainda por mais dois trabalhos:
A Invasão dos Sátiros, performance de
rua realizada por ocasião da inauguração
do projeto ‘A Hora do Trabalhador’ e O Sorriso
da Casa de Jóias, comédia escrita e interpretada
por Bruno Palzatto, que traz à reflexão
o sentido temporário e cíclico da vida,
a partir das estórias pessoais de Marcônio
Carvalho, que põe os pés na estrada em
busca de equilíbrio.
Ainda em 1995, o Teatro Caleidoscópio e a Cia
Nú Trágico, atual Cia Cooperativa de Atores,
uniram-se em torno de suas experiências para criar
um espetáculo capaz de estabelecer um circuito
contínuo de impulsos encorajadores entre os espectadores
de uma platéia supostamente oprimida: Dionisos
– O Grande Grito, de Beatriz de Paoli. A montagem,
permaneceu cinco anos em cartaz, tendo recebido prêmios
em destacados festivais de monólogos do país.
Em 1996, o Teatro Caleidoscópio levou aos palcos
pela primeira vez o monólogo A Órfã
do Rei , do angolano José Mena Abrantes, , com
interpretação de Paula Passos - para quem
o texto foi especialmente escrito - e sob a direção
e concepção de André Amaro. A montagem
lhes valeu o Prêmio de Cultura de Brasília,
naquele mesmo ano, e seguiu para Luanda (Angola), onde
foi laureada pela crítica e pelo público.
Apresentou-se em Marseille (França) e também
em Lisboa e Coimbra (Portugal). Retornando ao Brasil,
fez tournê por algumas cidades brasileiras, tenho
recebido o Prêmio de Melhor Atriz e Melhor Espetáculo
no Festival de Monólogos de Teresina-PI.
Nesta montagem, as poesias literária e cênica
se misturam num jogo de imagens que mantém o
espectador na fronteira entre a palavra e as formas
corporais simbólicas. Objetos se movimentam no
espaço cênico não como peças
inanimadas a serviço da decoração,
mas como elementos vivos que extrapolam sua função
utilitária para construírem outros significados.
Tudo isso resulta numa montagem contemporânea
de aflorada brasilidade, onde toda referência
histórica serve apenas para reinventar os fatos.
Uma mostra de espetáculos promovida pelo Teatro
Caleidoscópio em 1998, resgatou algumas das montagens
anteriores. O evento, realizado no Teatro Dulcina, contou
ainda com a montagem de Calabar, musical de Chico Buarque
e Ruy Guerra.
Na linha de pesquisa, André Amaro juntou-se
ao ator, diretor e professor Césario Augusto,
em 1999, na montagem de Quem és Tu, Coriolano?,
livre edição da obra Coriolanus, de William
Shakespeare. Um ano depois, encenou, com atores convidados,
a tragicomédia inédita de Vicente Pereira,
O Colar de Diamantes, retomando as oficinas do Teatro
Caleidoscópio em 2001, quando realizou novo treinamento
com atores, utilizando técnicas de improvisação.
A inauguração de sua sede, em Brasília,
em 2002, sinalizou uma nova trajetória para o
Grupo que quer reunir condições para a
criação de uma companhia permanente de
teatro ligada às tendências de pesquisa.
No Teatro Caleidoscópio, o ator é assumidamente
o elemento desencadeador de todo o processo de comunicação.
Por isso, em nossos espetáculos, eliminamos qualquer
possibilidade cenográfica que não esteja
a serviço das exigências da interpretação.
O que nos interessa não é somente o domínio
de um roteiro para o palco, mas sim o palco como roteiro
da manifestação poética dos mais
diversos estados humanos.
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