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A PROPÓSITO DE GOETHE, 2003
Da obra de Fernando Monteiro
Direção
André Amaro
Atores
André Amaro, Dayse Ramos, Silvia Slene e Tânia
Zobar
Iluminação
Cláudio Lago
Figurinos
Mônica Barbosa
Sax
Composição Ricardo Barrenechea
Execução Tânia Zobar
Fotos
Crystiano D’Moura
“A Propósito de Goethe” baseia-se
na peça homônima, de autoria do filósofo
e dramaturgo carioca Fernando Monteiro, que recebeu
o prêmio Novos Autores da UFPB. Adaptado por Dayse
Ramos – que também atua no espetáculo
– e por André Amaro, o texto remete a duas
obras-primas do gênio do Classicismo alemão,
Johann Wolfgang von Goethe: a tragédia Fausto
e o romance Os Sofrimentos do Jovem Werther.
O espetáculo está dividido em duas partes.
Na primeira assiste-se, em dois atos, ao drama vivido
por uma escritora de muito talento, idealista, onírica,
mas que não conseguira ainda publicar nenhuma
de suas obras. Ao concluir aquela que julga ser sua
obra-prima, ela recebe a visita inesperada de Mephisto,
que lhe propõe sucesso e dinheiro em troca de
sua inspiração. A partir daí, inicia-se
um conflito entre o sonho e a realidade, entre o idealismo
da escritora, que tende a recusar a estranha oferta
em nome de seus princípios de artista, e o pragmatismo
de sua ama, que vê no misterioso visitante a esperança
de finalmente superarem a miséria material em
que vivem.
A segunda parte do espetáculo, em ato único,
é um monólogo no qual um jovem pintor,
loucamente apaixonado pela jovem Carlota, prometida
em casamento a um rico advogado, relata seu sofrimento
em cartas que escreve a um amigo. Seu fim, conforme
a obra original de Goethe, é o suicídio
diante da impossibilidade de realizar o seu amor.
Goethe, o maior nome da literatura alemã, nasceu
em 1749 em Frankfurt, e morreu aos 83 anos de idade,
a 22 de março de 1832, em Weimar. O romance Os
Sofrimentos do Jovem Werther foi publicado em 1774,
aos 25 anos, e contém traços autobiográficos,
pois dois anos antes Goethe se apaixonara por uma senhora
casada, Charlotte Buff. No mesmo período, Goethe
é surpreendido pelo suicídio de uma colega
estudante, desesperado por um amor igualmente não
correspondido. O drama de Werther alcança enorme
popularidade e traz fama imediata ao jovem autor, mas
também lhe causa profunda amargura, pois chega
a provocar uma onda de suicídios entre jovens
europeus que reconheciam na personagem fictícia
seus sofrimentos pessoais.
Enquanto o Werther é uma obra de juventude,
o Fausto pode ser considerado o testamento literário
de Goethe e testemunho de toda sua vida de criação
artística. A história não é
completamente original, pois o tema do indivíduo
que vende sua alma ao Demônio em troca de sucesso
e imortalidade aparece na literatura européia
já no século XVI. Goethe começa
a redigir sua versão da tragédia em 1773,
aos 24 anos, mas só vai concluí-la ao
fim da vida, sessenta anos após iniciada. A Primeira
parte somente foi terminada em 1806, e publicada em
1808; a segunda parte, terminada pouco antes de sua
morte, foi publicada postumamente, conforme desejo expresso
de Goethe, em 1833.
A produção da peça “A Propósito
de Goethe” contou com o apoio do Fundo de Apoio
à Cultura, da Secretaria de Cultura do Distrito
Federal.
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