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O COLAR DE DIAMANTES, 2000
Tragicomédia de Vicente Pereira

Direção
André Amaro

Elenco
André Amaro, Fernanda Pelosi, Fabiana Tenório e Míriam Virna

Músicas
Fabrízio Rubinstein

Iluminação
Claudio Lago

A comédia de Vicente Pereira, inspirada em conto de Guy de Maupassant (1850-1893), transpõe para os últimos dias do 2º Império a velha temática da ascensão social. A personagem Elvira, com a cumplicidade de sua criada, faz o possível e o impossível para ir ao Baile da Ilha Fiscal (último baile do império) de maneira adequada. Para isso, pedem um colar de diamante emprestado, que desaparece.

A Ilha Fiscal – A maior festa de arromba no Brasil ocorreu em 9 de novembro de 1889, seis dias antes da proclamação da República. Num baile organizado pelo Visconde de Ouro Preto, em homenagem ao encouraçado chileno “Almirante Cochrane”, de passagem pelo Brasil, 3 mil convidados dançaram até o amanhecer num palácio erguido na Ilha Fiscal, localizada na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. No dia seguinte, conta a lenda, mucamas recolheram dezenas de corpetes e demais roupas íntimas femininas, numa demonstração de que diversas virgindades haviam tombado entre uma valsa e outra. Com o advento da República, o cenário do último baile do Império acabou transformado em guarnição militar. Reformado em 1998, este patrimônio histórico expõe hoje seus luxuosos salões, além de vasta iconografia da Marinha.

O diamante – Por uma questão de raridade, somente quatro pedras são chamadas de preciosas; os diamantes, os rubis, as safiras e as esmeraldas. Mas o que faz do diamante uma pedra tão extraordinária e tão desejada? O diamante é o carbono puro cristalizado. É a matéria da dureza máxima conhecida pelo homem, a pedra que melhor resiste ao tempo, razão pela qual nele repousa o verdadeiro sentido da eternidade.

Vicente Pereira – Vicente Pereira (1949-1992) foi um dos precursores do teatro besteirol, ao lado de Mauro Rasi e Miguel Falabella. Em 1983, os três deram início a uma seqüência de peças de humor escrachado e ferino que sacudiu a cena teatral carioca. É autor de sucessos como “A Dama do Cerrado”, “Sereias da Zona Sul” e “Solidão – a Comédia”. Esse tipo de humor o levou facilmente à televisão. Foi um dos autores do programa TV Pirata, da Rede Globo.
Apesar da habilidade com que criava personagens cômicos, Vicente Pereira chegou a renegar toda sua criação quando seus personagens começaram a ficar estigmatizados. Alguns anos mais tarde, Mauro e Vicente decretaram que não fariam mais este tipo de humor cáustico e irreverente. “Estou preocupado em buscar temas mais universais”, declarou na época.
A tragicomédia “O Colar de Diamantes”, de 1992, é considerada pelo próprio autor a sua melhor obra. A peça é uma crítica bem humorada àquilo que Vicente considerava o mal do século: a cultura materialista.

Crítica sobre a peça
Tragicomédia bem elaborada
Ivan Chagas - Correio Braziliense - 17.11.2000

Não há maior deleite para uma platéia teatral do que poder ver bons atores em cena. Este é o maior trunfo da montagem dirigida por André Amaro para O Colar de Diamantes, de Vicente Pereira, em cartaz no Teatro Goldoni.

Direção e elenco se empenham em fazer com que a peça represente para o espectador um contato íntimo entre a obra e quem a usufrui. O espectador se vê diante de atores que possuem a extrema clareza de saber o que estão fazendo sob aqueles refletores. Elaboram visivelmente seus personagens e fornecem ao público o convívio sobre com uma terceira criatura que vem comunicar seus dramas, seus anseios e seus ridículos. E o riso da tragicomédia escorre naturalmente pela platéia; em alguns casos, exagerado, mas verdadeiro.

A atriz Fabiana Tenório expõe neste trabalho o quanto representar é visceral na profissão que escolheu; sua serviçal, Guiomar, é a personagem melhor definida. Além dela, Miriam Virna também se juntou a André Amaro e Fernanda Pelosi para relembrar ao público teatral das últimas gerações a existência de uma categoria de atores que aprenderam a provocar na platéia uma atitude muito mais marcante do que sua personificação em aplausos protocolares, alimentados por artistas que têm enchido os teatros influenciados pelo formato americano de standup comedy. Este modelo de entretenimento acabou formando uma massa de espectadores que confunde trabalho de comédia mais elaborada com intelectualização do riso.


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