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CASCUDO, 2002

Comédia folclórica inspirada nos estudos de Luis da Câmara Cascudo

Texto
Criação coletiva, criados com base nas histórias, estudos, poemas, biografias e pensamento de Luís da Câmara Cascudo

Concepção e Direção
André Amaro

Realização
Teatro Caleidoscópio

ATORES
Andréa Borba
Princesa, Curupira, Rosa, Tatibitati, Gigante
Aylan Carvalho/Elia Cavalcante
Quitéria, Velha, Iara, Tatibitati, Touro
Frederico Palma
Menino
Lilian França
Peixinho, Criança, Porco do Mato, Zefa, Rei Doido
Pecê Sanvaz/Mário Guilhon
Violeiro, Rei, Corcunda, Caçador, Seu Carolo, Leôncio, Severino
Vanessa Di Farias
Dita, Criada, Tatibitati, Gigante

Cenografia, Figurinos e Programação Visual
André Amaro

Pesquisa e Execução Musical
O Grupo

Projeto Luminotécnico
Aldo Bellingrodt

Fotografias de Divulgação
Sônia Baiocchi

Administração
Iraí Lopes

Bibliografia
Luís da Câmara Cascudo
História dos Nossos Gestos
Dicionário do Folclore Brasileiro
Contos Tradicionais do Brasil
Superstições no Brasil
Lendas Brasileiras

Diógenes da Cunha Lima
Câmara Cascudo - Um Brasileiro Feliz

Gidson Oliveira
Câmara Cascudo - Um Homem chamado Brasil

Vídeo
Câmara Cascudo, 100 anos
Massangana Multimídia Produções, 1998
Direção: Vanessa Menescal
Fundação Joaquim Nabuco

Filme
Conversa com Cascudo
Direção: Walter Lima Jr.
Brasil, 1977

A palavra “cascudo” tem mais de uma face: pode significar um golpe na cabeça com as articulações dos dedos, também chamado cocre, cocada e cocorote; pode indicar o que tem casca grossa ou pele dura, cascoso; ou pode ser o nome de peixe comum no Brasil, de corpo delgado e cabeça grande.

Cascudo é também o sobrenome do escritor, historiador, etnógrafo, antropologista cultural, crítico, sociólogo, orador, conferencista e poeta Luís da Câmara Cascudo (Natal. 1898-1986), autor de mais de 150 livros publicados sobre as matrizes do comportamento humano do homem brasileiro. “Ele diz tintim por tintim a alma do Brasil em suas heranças mágicas, suas manifestações rituais, seu comportamento em face do mistério e da realidade comenzinha. E sua vasta bibliografia de estudos folclóricos e históricos marca uma bela vida de trabalho inserido na preocupação de “viver” o Brasil”, comentou certa vez o amigo Carlos Drummond de Andrade.

Em “História dos Nossos Gestos”, publicado em 1976, Câmara Cascudo identifica e descreve mais de 300 gestos brasileiros, revelando suas coincidências da presença anterior na comunicação humana.

A obra serviu de consulta inicial para a pesquisa do diretor André Amaro e sua trupe do Teatro Caleidoscópio, de Brasília, sobre a gestualidade brasileira, e acabou se tornando fonte de inspiração para a criação do espetáculo “Cascudo”.

A peça reúne lendas, contos, crendices, superstições, gestos e canções, retirados dos estudos de Câmara Cascudo, para contar a história de personagens que transitam no imaginário popular de um Brasil misto e vasto. Um menino preguiçoso e sonhador conduz uma viagem incomum que tem Brasília, ou lugar nenhum, como destino. “À proporção que se vai vivendo, o horizonte vai recuando e novas coisas vão surgindo”, já dizia o potiguar do século, revelando uma visão curiosamente caleidoscópica.

Os figurinos são inspirados no peixe “cascudo”, que leva esse nome por possuir pele grossa, semelhante a uma casca. São pintados a spray e ganham aplicação de cola plástica branca para ressaltar o corte e a costura aparente das roupas rústicas usadas no interior.

A direção do espetáculo incentivou os atores a buscarem a construção corporal mímica, já que o projeto de pesquisa visa a expressão física. Não há objetos cênicos e sim instrumentos musicais que ora tocam e ressoam como elementos de sonoplastia, ora servem a outros significados, extrapolando sua função utilitária. Assim, um pandeiro pode transformar-se em uma tigela para bater bolo; um ganzá transforma-se em telefone; um triângulo (instrumento musical), em alça de um saco de batatas, e assim por diante. Tudo isso para provocar a imaginação do espectador e fazê-lo enxergar além da forma e matéria das coisas.

Críticas sobre a peça

Folclore com bom humor
Cláudio Ferreira - Correio Braziliense - 25.10.2002

O diretor André Amaro teria a opção de mostrar, didaticamente, parte do que foi recolhido em anos de pesquisa pelo folclorista Luis da Câmara Cascudo. Preferiu seguir outro caminho: contar histórias onde pudesse inserir personagens, expressões e costumes que fazem parte da inacreditável bibliografia (145 títulos) do pesquisador potiguar.

A opção foi acertada. Cascudo, espetáculo que inaugura o teatro de bolso Caleidoscópio, no Setor Sudoeste, conquista o público pela criatividade. Num palco pequeno, com poucos recursos, mostra-se o interior do país. Só com figurinos criativos, poucos adereços e atores com pique invejável, a montagem consegue fazer o espectador mergulhar nos ‘‘causos’’.

Para criar o clima, músicas recolhidas do folclore nacional fazem a abertura do espetáculo. Depois, é uma sucessão de quadros que mostram os tipos brasileiros (a fofoqueira, o preguiçoso) e as lendas nacionais (iara, curupira). Tudo muito ágil, quase sem intervalos entre as cenas.

Num espetáculo de bolso, há que se fiar no talento dos atores. André Amaro reuniu um grupo sem larga experiência, mas com muita garra e expressividade. O cabelo de Vanessa de Faria (a Dita), por exemplo, é quase um ator à parte, assim como as expressões faciais de Lilian França (a Zefa) e de Mario Guillon (o Caroco). Todos avançam além da caricatura pura e simples: sabem dosar o exagero para convertê-lo em virtude.

Espetáculo do grupo Caleidoscópio faz ode a Câmara Cascudo
Beto Lanza - Folha de São Paulo - 28.03.2003

Uma ode para Luís da Câmara Cascudo(1898-1986), maior estudioso dos costumes e das artes populares do Nordeste brasileiro. Esta é a oferta do grupo Caleidoscópio, de Brasília, até o dia 30, no teatro José Maria Santos, no Fringe do Festival de Teatro de Curitiba.

A peça "Cascudo", dirigida por André Amaro, é o resultado das pesquisas do grupo a partir da obra do historiador, reunindo lendas, crendices, canções e costumes subtraídos do repertório do poeta, incluindo aspectos da sua biografia como a sua biblioteca "babilônia", sua rede de descanso e seu charuto.

Para a encenação, o diretor usa uma partitura desenvolvida pelos atores, pautada na dramaturgia corporal, seguindo os indicativos pinçados da obra de Cascudo. Não há elementos cenográficos, apenas alguns cubos vazados. O cenário é substituído pelo gestual dos atores, que ora definem o espaço, ora os objetos, o que resulta em um espetáculo minuciosamente coreografado, usando como suporte apenas a música executada ao vivo pelos atores.

Este é o diferencial desta peça em relação às contações de histórias que geralmente sustentam-se na palavra. Aqui a palavra é usada em pé de igualdade com os movimentos, ambos caminham lado a lado de forma complementar, criando um conjunto harmonioso de ações e textos.

Esta é uma peça indicada aos amantes da cultura brasileira e aos pesquisadores interessados em apreciar uma experiência de teatro antropológico bem sucedida.

Cascudo é considerado o melhor da Mostra SESC 2004
Quatro prêmios. Esse foi o saldo da participação do Teatro Caleidoscópio na II Mostra do Teatro Candango, promovido pelo SESC-DF, de 15 a 23 de outubro de 2004, no Teatro Garagem, em Brasília. O espetáculo Cascudo levou quatro prêmios: melhor espetáculo, melhor direção, melhor iluminação e melhor atriz para Vanessa Di Farias. O prêmio de melhor espetáculo foi entregue pelo ator Paulo Autran, presença emblemática a quem todos renderam especial homenagem na noite de encerramento.

Premiações
• Melhor Espetáculo – Cascudo (Teatro Caleidoscópio)
• Melhor Direção – André Amaro (Cascudo)
• Melhor Atriz – Vanessa Di Farias (Cascudo)
• Melhor Ator – Denis Camargo (O Facilitador)
• Melhor Cenário – Maria Carmem (Teatro Goldoni)
• Melhor Figurino – Hugo Rodas e Eliana Carneiro (Salomé)
• Melhor Iluminação – André Amaro (Cascudo)

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