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Infinito e Efemeridade
Das muitas imagens que emergem do longo convívio com nosso amigo André Amaro, uma das mais memoráveis é aquela que experienciamos quando do nosso muito particular encontro com a diretora Ariane Mnouchkine, do Théâtre du Soleil, nos estágios que com ela fizemos. Éramos vários atores, acuados e perplexos, diante da maestria de uma das mais instigantes criadoras do teatro contemporâneo. E lá estava ele, em casa, transmutado em um Pantaleão que dominava toda a cena, com sua presença e magnetismo. Um verdadeiro instante de teatro, como diria Mnouchkine. Ali estava um ator em pleno despojamento e, ao mesmo tempo, em completo domínio de sua arte, deleitando-se com as pequenas pedras preciosas encontradas pelo caminho; exercitando o “músculo da imaginação”.
Aquele foi o nosso primeiro contato com um certo tipo de teatro, que alia a um sentido profundo do sagrado a mais concreta carpintaria do fazer teatral. Um verdadeiro rito de iniciação que nos marcaria a todos em nossas trajetórias artísticas. Lá, brotaram “as eternas perguntas sem resposta”, de que nos fala André: “Por que fazer teatro? De que estado interior partirá o ator para construir suas ações concretas?” Perguntas essas, que nos movem até hoje, e que o levaram a buscar construir um modo peculiar – lúdico e multifacetado – de ver o teatro e o ator.
A visão caleidoscópica, proposta por André Amaro, une a dimensão da impermanência a um fluxo ininterrupto de imagens e de experiências teatrais. Este livro reúne suas experiências e questionamentos em relação ao seu processo artístico, além de mapear o universo teórico que o inspirou e o orienta em sua trajetória.
São raros os artistas que mantêm uma coerência e continuidade em seu trabalho, sem se desviar de suas questões essenciais, de suas próprias perguntas. André Amaro é o próprio espírito do caleidoscópio – dirige, escreve, produz, gerencia e atua com igual talento, dando vida a esse sonhar coletivo que é o teatro.
Adriana Mariz
Rita de Almeida Castro
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